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Outubro - 2010
 

Apresento-lhe, com muito orgulho, a sétima edição de nossa Revista: Perspectiva em Educação. O que vocês encontrarão nesta edição será aquilo que a tradição tem consolidado: excelentes trabalhos.


Felizmente para ele e infelizmente para nós, que ficaremos sem sua dedicação,  o responsável direto desta tradição terá de nos deixar. Após ter idealizado e posto em prática este árduo projeto, chega o momento no qual o profº Renatho é chamado para uma nova etapa de sua vida. Todos nós da Revista seremos eternamente gratos pelos seus feitos, e torcemos para que nesta nova etapa de sua vida tenha o mesmo sucesso que vem obtendo por onde tem passado.
 Voltando ao nosso tema, enquanto preparava este editorial, uma pergunta ficava a mim: por que temos uma Revista? Por que periodicamente lançamos uma edição recheada de excelentes trabalhos, que por certo consumiram horas de seus autores? Talvez para responder estas questões eu tenha de me valer de um dado antropológico: o homem tem uma necessidade intrínseca ao seu ser de conhecer o mundo ao seu redor e sobre tudo a si mesmo. Ora, este fato me faz lembrar o primeiro filósofo: Tales de Mileto.
 Tales nasceu na cidade de Mileto, que se situava na antiga Ásia Menor, atual Turquia, no séc. VII a.C. Ele é considerado, por muitos especialistas, o marco inicial da filosofia ocidental. Outros o apontam como um dos sete sabidos da Grécia Antiga. Fez trabalhos na área de cosmologia, prevendo assim o eclipse de 585 a.C, e também tem descobertas na área de geometria, quem ainda lembra-se dos teoremas de Tales que aprendemos na escola? Tales, fugindo das explicações mitológicas da origem do mundo, foi o primeiro a dar uma razão louvável à explicação da ordem em nosso planeta.
Pois bem, apresentado o filósofo, reza a lenda que certo dia Tales foi interrogado por outros sábios sobre nove questões das quais ele deveria dar uma resposta curta e objetiva, e o diálogo ficou assim:
Sábios: Qual é Tales, a coisa mais velha do mundo?
Tales: Deus, porque Ele sempre existiu.
Sábios: E qual é a mais bela de todas as coisas?
Tales: O Universo, porque é trabalho de Deus
Sábios: Qual é a maior de todas as coisas, dize-nos filósofo?
Tales: O Espaço, porque ele contém o que foi criado.
Sábios: Qual a mais constante de todas as coisas?
Tales: A Esperança, porque ela permanece nos homens mesmo depois de terem perdido tudo.

Sábios: Qual é a maior de todas as coisas?
Tales: A Liberdade, porque sem ela não há nada de bom.
Sábios: Qual é a mais rápida de todas as coisas?
Tales: O Pensamento, porque em um segundo pode voar para o extremo do Universo
Sábios: Qual é a mais forte de todas as coisas?
Tales: A Necessidade, porque ela faz os homens enfrentarem os perigos da vida.
Sábios: Qual a mais fácil de todas as coisas?
Tales: Dar conselhos.
Sábios: Qual a mais difícil de todas as coisas?
Tales: Conhecer a si mesmo.

 Talvez Tales esteja certo, pois estamos a mais de 2700 anos de sua existência e ainda assim nosso maior desafio é de conhecer-nos. A quase 3 milênios nós investigamos a natureza, incansavelmente, e a nossa alma, temerariamente, em busca de respostas às nossas interrogações, angustias, frustrações, desejos. 
 Deste modo, acredito que talvez eu tenha, pelo menos por enquanto, pensado numa possível resposta àquela pergunta inicial: por que temos uma revista?  Temos uma revista por uma necessidade intrínseca de irmos cada vez mais afundo em nossa própria natureza, e nela encontrar resposta, ainda que sejam momentâneas, para o mistério de nossa existência.
 Espero que todos apreciem esta edição.
 
Fábio Moraes
Editor-Chefe


                                                                                                                      

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