ENTREVISTAS COM OS PALESTRANTES DA II SEMANA PEDAGÓGICA DA FMC |
||||
Durante a II Semana Pedagógica, a Faculdade Metropolitana de Caieiras pôde contar com a presença ilustre dos Professores Antônio Joaquim Severino (FE-USP) e Carlos Serrano (FFLCH-USP), além de a Professora Lívia Motta (PUC-SP). |
||||
![]() |
REVISTA PERSPECTIVAS EM EDUCAÇÃO - Dos livros que o senhor leu, quais os que mais inspiraram na sua vida profissional e pessoal? Que livro, ou livros, o senhor indicaria para futuros educadores?
PROFº SEVERINO - O livro que mais me inspirou foi o que li durante a faculdade, de autoria do filosofo francês Emmanuel Mounier, O Personalismo, que marcou minha juventude e minha formação. Eu sugiro aos jovens pedagogos e educadores, de uma maneira geral, que leiam muitos livros, não tenho como mencioná-los aqui, |
|||
mas um que com certeza é imprescindível para todos nós seria o de Michel Foucault, Vigiar e punir, pois é um livro que nos ajuda a entender melhor a humanidade e particularmente a relação entre professores e alunos, de uma maneira antropológica, nos ajuda a entender melhor como deveria ser a relação entre as gerações representadas pelos professores e pelos alunos. |
||||
REVISTA PERSPECTIVAS EM EDUCAÇÃO - Quantos livros o senhor escreveu, e qual deles destacaria como sua principal obra? |
||||
PROFº SEVERINO - Eu escrevi nove livros, dentre os quais destaco o Educação, Sujeito e História, que considero uma síntese da mensagem que eu gostaria de deixar. Entendo que este livro tem também um caráter de testemunho, foi uma tentativa que fiz de apresentar como eu vejo filosoficamente a educação e como ressalto a importância da educação para construção da história. Nos dias de hoje, a finalidade do investimento educacional é, sem dúvida, emancipar as pessoas e democratizar a sociedade. Por isso considero este livro mais significativo não só por ser como que uma síntese de meu testamento intelectual, mas também porque sua mensagem me parece mais relevante. |
![]() |
|||
REVISTA PERSPECTIVAS EM EDUCAÇÃO - Em sua opinião, quais são as principais habilidades que um educador deve ter para que tenha sucesso em sua carreira profissional? |
||||
PROFº SEVERINO - Costumo resumir da seguinte forma: |
||||
![]() |
||||
REVISTA PERSPECTIVAS EM EDUCAÇÃO - O Senhor afirma que a história da África foi encoberta por um véu de preconceitos. Na sua opinião, a lei 10639 – que torna obrigatória a inclusão de História e Cultura Afro-brasileiras e Africana nos currículos escolares – contribui de que forma para a retirada desse véu? |
||||
PROFº SERRANO - Tornando esse saber obrigatório, ela conduz a que as pessoas, agora, tenham que banalizar esse saber, sobretudo no curso secundário. E isso evidentemente não é uma coisa rápida e no momento. Vai necessitar, talvez, até de várias gerações para que esses conceitos e essa outra forma de ver, um pouco mais objetiva do tema africano, possa ser feita. Mas, pelo menos, é um início desse processo. |
||||
![]() |
REVISTA PERSPECTIVAS EM EDUCAÇÃO - Qual sua opinião sobre a unificação da Língua Portuguesa nos países que possuem o Português como língua oficial? Isso não prejudicaria a cultura e a identidade desses países, uma vez que no Brasil, por exemplo, a língua teve sua construção a partir de várias etnias? |
|||
talvez pela imprensa escrita e na editoração de livros. Terá que serspeitada a especificidade de cada país. E isso não afetaria a cultura ou a identidade desses povos, porque, enquanto língua falada, não tem a ver com a língua escrita, o povo é dono de sua cultura. |
||||
REVISTA PERSPECTIVAS EM EDUCAÇÃO - Qual sua opinião a respeito das Políticas Públicas de reparação ao preconceito racial em nossa sociedade? |
||||
PROFº SERRANO - Tenho acompanhado, por interesse meu, que, para que aqueles que são afrodescendentes e tem uma dimensão cultural (eu tenho acompanhado isso desde o meu tempo de estudante), eu vejo uma diferença daquilo que nos anos 70 existia, em termos de direito, e aquilo que ocorre hoje. Esse espaço foi conquistado através não só de uma boa intenção do governo, do Estado, ou até dos intelectuais ou dos acadêmicos. Isto foi conquistado por movimentos sociais dos próprios afrodescendentes, também. Há um encaminhamento e uma série de conquistas que foram feitas. Tenho a impressão de que há muita coisa por fazer e também, possivelmente, muitas coisas a serem corrigidas. É toda uma experiência que está sendo feita, elaborada, mas positiva em comparação ao que existia, ou o que não existia anteriormente. |
||||
|
![]() |
|||
vontade, puxa vida uma instituição tão perto de minha casa e lá tem um espaço para eu dar aulas de inglês que é coisa que eu sei fazer. |
||||
Ai comecei a dar aulas de inglês lá, e a experiência foi tão legal que comecei a me envolver e comecei a fazer o doutorado. Bem, eu tenho uma sobrinha Isabela que é fundadora do Grupo Terra e que tinha também muita vontade de fazer um trabalho voluntário, sempre gostou muito de fazer esse tipo de atividade junto à natureza e com esportes radicais, então a gente começou a elocubrar uma série de possibilidades até que nós resolvemos levar o meu grupo de alunos para a praia num passeio, 15 alunos com 15 amigos. Nós fomos para Riviera de São Lourenço, foi uma experiência tão fantástica que isso começou a crescer: de 15, nós passamos a levar mais de 30, foi subindo pra 40, e hoje o Grupo Terra já faz 5 anos. Nós temos cursos de Agentes Multiplicadores Terra. Nosso trabalho não é só levar para um passeio, o que agente quer é que a sociedade, como um todo, conheça mais sobre a deficiência visual e que se interesse em abrir espaço para as pessoas cegas, não é? Porque este é o foco, que eles não conseguem fazer pela limitação da falta da visão, então o trabalho tem sido fantástico. Eu participo justamente fazendo toda essa parte de conceitos teóricos, fazendo um alinhamento, participo da Diretoria, então tem sido um trabalho fantástico. Inclusive agora no domingo nós vamos fazer uma visita à Escola Parque do Conhecimento Sabina – em Santo André, que é um tipo de um museu que também está muito preocupado com a questão da acessibilidade. Nós vamos em 44 pessoas do Grupo Terra visitar o museu. |
||||
REVISTA PERSPECTIVAS EM EDUCAÇÃO - Qual a sua concepção sobre as mudanças na lei que favorecem ações de inclusão na escola e, principalmente, no Ensino Básico? PROFª LÍVIA MOTTA - Essas mudanças foram fundamentais, o que a Lei de Diretrizes e Bases - LDB trouxe e outros adendos que foram surgindo, ajudaram a transformar a escola num lugar para todos. As escolas não podem vetar as matrículas para nenhum aluno, mas os profissionais, os professores têm praticamente que engolir essas leis, pois não há um tempo para a preparação dos profissionais envolvidos, além da preparação física da escola. Tudo isso é muito importante, por isso que, muitas vezes, encontramos barreiras e barreiras: as pessoas entendem isso como uma imposição e se sentem assim, “nossa mas isso é um trabalho muito grande eu não estou preparada”, eu acredito que esse processo de formação continuada é essencial. REVISTA PERSPECTIVAS EM EDUCAÇÃO - Qual a maior necessidade que você sente para um melhor desenvolvimento no que se refere ao seu trabalho? O que você sente mais falta? PROFª LÍVIA MOTTA - Nesse trabalho, eu gostaria assim de atingir mais e mais pessoas para que essas pessoas possam se preparar para receber essas crianças. Porque eu acho que nossa responsabilidade é tão grande, porque essas crianças com deficiência, crianças com dificuldades de aprendizagem, podem não alcançar os mesmos resultados de outros alunos, mas nós não sabemos aonde elas podem chegar, se a elas forem oferecidas oportunidades, possibilidades, se a elas for mostrado caminhos. Eu acredito que elas possam ter uma vida decente, de cidadão, e não ficarão confinadas em lugares especialmente destinados a elas. Minha vontade hoje é atingir cada vez mais pessoas para poder ajudar nessa transformação, e, também, eu faço um trabalho que começou no Grupo Terra, de preparação de inclusão cultural para áudio-descrição. Eu preparo pessoas para serem áudio-descritor de peças de teatro, de filmes, porque como que a pessoa deficiente visual vai entender uma peça de teatro, vai entender um filme, se ela não enxerga? Grande parte das ações são feitas em silêncio não têm diálogo e o que ela vai entender do cenário das ações que estão ocorrendo? A áudio descrição são informações extras nos diálogos inseridos, é um recurso de acessibilidade que já tem na Europa, nos EUA e que está chegando agora ao Brasil, é novidade. Então eu estou fazendo formação de pessoas para serem áudio-descritores lá no “teatro vivo”, e vamos também dar o curso no Grupo Terra, para que mais e mais pessoas possam fazer esse trabalho. Já pensou? Que coisa maravilhosa a pessoa com deficiência visual poder ir assistir a uma peça e ter uma ampliação de 80% do seu entendimento, não precisar ficar perguntando, que é que está acontecendo? Como é que é? O que ele fez? Ele recebe a informação, não perturba ninguém, porque tem um “foninho” de ouvido, como numa tradução simultânea, e o áudio descritor fica na cabine dando as informações. Isso é uma grande contribuição, o trabalho é fascinante e ficamos estimulados a querer fazer mais. |
||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||