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Em busca do
professor fantasma Revista Época – ed. n° 493, 29 outubro
de 2007. Um estudo mostra que os professores de escolas estaduais de São Paulo
faltam 32 dias por ano, em média. Amparados pela lei Luciana
Vicária Faz seis meses
que a professora aposentada Eugênia Maria Bueno, de 61 anos, freqüenta uma
escola estadual de São Paulo. Ela anota em seu caderninho tudo o que vê e
ouve: de falhas na infra-estrutura a reclamações de funcionários. Mas nenhum
problema chama mais a atenção dela que a falta dos professores. “Nunca vi
todas as classes em aula ao mesmo tempo”, diz Eugênia, que dirigiu uma escola
estadual por oito anos. Ela trabalha no projeto Parceiros da Educação, uma
entidade que investe em 37 escolas paulistas. Os professores
faltaram em média 32 dias letivos no Estado no ano passado, de acordo com um
levantamento do escritório de advocacia Ulhôa Canto, Rezende e Guerra
Advogados. Em dias corridos isso significa um mês e meio sem aparecer na
escola. Se somado ao mês de férias, serão quase 90 dias longe do trabalho, um
dos maiores índices de falta entre os servidores públicos. Isso acontece –
e a realidade não é muito diferente no restante do país – porque a lei
permite. O professor que aproveita todas as brechas previstas em lei pode
faltar mais que o total de dias letivos do ano. Na simulação no pé desta
página, o professor faltou 183 dos cerca de 210 dias letivos, sem prejuízo em
seu salário. O único desconto que sofreu foi do auxílio-transporte e do
vale-alimentação. O que mais chama a atenção são os 105 dias garantidos por
atestados médicos. As faltas, para esse caso, podem ocorrer em períodos
inferiores a 15 dias. “Acontece de o professor faltar 14 dias, aparecer na
escola no 15º dia e depois faltar mais O estudo
considerou toda a legislação que regulamenta a carreira dos professores
paulistas: o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado, o
Regulamento Geral dos Servidores Públicos e o Estatuto do Magistério
Paulista. Boa parte das leis está em vigor desde a década de 60. Mas é de
alguns anos para cá que os professores têm faltado em excesso. A média de
faltas hoje é dez vezes maior que há 20 anos. A principal
razão para o desinteresse pelas aulas é a desvalorização da carreira. Os
salários são baixos. Professores têm aumento basicamente em função do tempo
de serviço, uma prática que não incentiva os mais eficientes. A distorção
levou o governo de São Paulo a lançar na semana passada um pacote de
benefícios para o professor assíduo. Ele pode trocar 30 dias dos 90 da
licença-prêmio por mais um salário e ainda ganhar bônus no fim do ano, se não
faltar muito. Ainda é pouco. “É preciso mudar a lei e diminuir o número de
dias que se pode faltar”, diz Eduardo de Carvalho Andrade, professor do IBMEC
São Paulo e pesquisador da área de economia da educação. “Enquanto ninguém
mexer no direito de faltar, ficará difícil garantir o direito que os alunos
têm de aprender”, diz Ilona Becskeházy, diretora-executiva da Fundação Leman,
especializada em políticas educacionais.
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