UNESP CRIA VAGAS PARA ESCOLA PÚBLICA

O Estado de São Paulo, “Vida &”, sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Se o projeto for aprovado, em dezembro, a universidade será a priemira do Estado a implantar um sistema de cotas

Renata Cafardo

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) deve criar vagas exclusivas para alunos de escolas públicas a partir de 2008. Um projeto de inclusão elaborado pela reitoria foi apresentado ontem ao Conselho Universitário e será votado em 13 de dezembro. Se aprovado, a Unesp será a primeira universidade estadual de São Paulo a ter um sistema parecido com o de cotas - hoje elas só existem nas instituições federais. Serão cerca

de 700 novas vagas.


O programa não prevê benefícios por raça ou cor nem estipula renda mínima para a inclusão. Outra diferença com relação ao sistema de cotas convencional é que a Unesp quer criar vagas em vez de reservar uma parte das que já existem. O aumento será de

cerca de 10%.


"Percebemos que o impacto das isenções não foi o que imaginávamos. O número de egressos de escola pública não está crescendo", diz o reitor da Unesp, Marcos Macari. Ele se refere ao programa que isenta alunos carentes da taxa do vestibular. Hoje, 36% dos alunos da instituição cursaram o ensino médio público - esse número já foi de 50%.

O objetivo do projeto é igualar no vestibular a porcentagem de candidatos que vêm de escolas públicas à porcentagem dos que efetivamente conseguem uma vaga na instituição. Cada curso terá um número diferente de vagas a mais para esse grupo –

que podem variar de 0 a 10.

 

O curso de Direito, por exemplo, terá 10 novas vagas para quem estudou no ensino médio público. Isso porque 33,8% dos que se candidatam no vestibular fazem parte desse grupo e só 17% são aprovados. Já em Arquitetura, haverá uma vaga apenas para cotas - os índices de candidatos e ingressantes são semelhantes (22,9% e 20,7%, respectivamente). Medicina, um dos mais concorridos, terá seis vagas a mais.

As estimativas foram feitas com base nos cinco últimos vestibulares e podem mudar a cada ano. Se fossem considerados os exames de
2003 a 2007, haveria 738 vagas. Os estudantes farão o vestibular normalmente e os melhores ficarão com as vagas.

Segundo o projeto, cursos que já têm mais de 50% de seus alunos provenientes de escolas públicas não sofrerão mudanças. A Unesp também pretende utilizar vagas ociosas na instituição para inclusão. Em 2007, havia 687 vagas que foram oferecidas em exames de transferência interna ou externa. A idéia agora é preenchê-las com alunos de escolas públicas que participaram do vestibular da Unesp e não foram aprovados.


OUTROS PROGRAMAS


Atualmente, as duas outras instituições do Estado - Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - têm programas de inclusão diferentes do apresentado pela Unesp. Ambas oferecem pontos a mais no vestibular para alunos de escolas públicas. "Dar mais vagas pode mascarar o problema porque não resolve falhas do vestibular", diz o coordenador do exame na Unicamp, Leandro Tessler.

As cotas tradicionalmente nunca foram um projeto do governo paulista - o ex-governador Geraldo Alckmin costumava pronunciar-se contra projetos com essa característica. Já o Ministério da Educação (MEC) incentiva a reserva de vagas nas instituições federais. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) iniciou um sistema de cotas no fim de 2004. Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o processo

 começa neste ano.


INCLUSÃO



738 vagas

seriam criadas para alunos de escolas públicas

10%
é o que representa em relação ao total de vagas hoje

36%
dos alunos da Unesp vieram de escolas públicas

6 vagas
seriam criadas em Medicina, um dos cursos mais concorridos

10 vagas
seriam acrescentadas ao curso de Jornalismo no período noturno