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SALÁRIO NÃO MELHORA ENSINO, DIZ SECRETÁRIA DE
EDUCAÇÃO DE SP Folha Online, “Educação”, 16 de outubro de
2007, 08h18 Fábio Takahashi, Daniela Tófoli A secretária estadual da Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães
de Castro, afirmou ontem (15) que qualidade de ensino não tem relação com
salário dos professores. A declaração foi feita em resposta à reportagem de ontem da Folha, que mostrou que o governo
paulista paga R$ 8,05 por hora --39% menos que o Acre (R$ 13,16)-- para
professores em início de carreira e é apenas o oitavo melhor salário do país.
"O quadro mostra, com clareza, que não há uma relação direta
entre salário e qualidade do ensino, embora a questão salarial seja
fundamental para valorização dos professores", disse a titular da pasta
do governo José Serra (PSDB). Maria Helena cita o fato de Estados como Minas Gerais e Distrito
Federal (governados por PSDB e DEM, respectivamente) estarem entre os três
melhores desempenhos da quarta série no Saeb (exame
do governo federal), embora não tenham os salários mais altos. Ficaram em 17º
e 19º. Questionada sobre o Acre, que é o campeão dos salários e aumentou
13,8 pontos no Saeb entre 2003 e 2005 (São Paulo
avançou 1,1), ela disse que o Estado melhorou porque manteve a mesma política
educacional desde o início dos anos 90. Antonio Chizzotti, professor da Faculdade
de Educação da PUC-SP, discorda: "Uma das questões fundamentais na
qualidade de ensino é a remuneração do docente". Para ele, o professor
precisa ter condições de estudar, comprar livros, ir ao teatro. "Tudo
isso é formação", diz. "E não dá para cobrar bom trabalho de um
funcionário a que se paga mal." A declaração da secretária foi dada durante cerimônia no Palácio dos
Bandeirantes, Serra considerou "sem cabimento" comparar São Paulo ao
Acre, pois, disse, o Estado do Norte praticamente não gasta com aposentados e
possui cerca de 70% a mais de recursos disponíveis por habitante (somando
arrecadação estadual e transferências federais). Serra reclamou também do fato de a reportagem não somar ao salário as
gratificações pagas aos professores. A reportagem mostrou, porém, que o
salário acreano (sem contabilizar a gratificação) é maior que a remuneração
paga Sobre o fato de Alagoas também pagar mais, Serra disse: "Viva
Alagoas, está muito bom. No caso de São Paulo, não é possível. Aliás, o
Estado de Alagoas quebrou por algum motivo. Não estou dizendo que foi
especificamente esse assunto". Após a entrevista coletiva, o governador afirmou à Folha que São Paulo paga
"dentro das possibilidades do Estado hoje". Entre as medidas apresentadas ontem estão a
antecipação para este mês do bônus que seria pago em 2008;
possibilidade de pagamento em dinheiro de parte da licença-prêmio;
incorporação de gratificação que beneficiará os aposentados; e a seleção de
2.545 secretários de escola e de 12 mil professores coordenadores. O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse ontem que o piso
salarial nacional para professores, aprovado na Câmara dos Deputados (R$
950), pode ajudar a melhorar a situação dos docentes. "Mas, como
professor, e no dia dos professores, não posso dizer que considero [o valor]
ideal." |