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O prazer cabe, sim, na sala de aula
Revista Nova Escola – ed 18 de Fevereiro de 2008
De acordo com a psicopedagoda Alicia Fernández, o segredo está em extrair das diferenças o prazer da troca. "Entre o ensinante e o aprendente há um campo de diferenças onde se situa o prazer de aprender", disse.
Depois de falar sobre Psicopedagogia e Transformação Social, a psicopedagoga argentina Alicia Fernández retornou ao ciclo vespertino de palestras do Congresso Brasileiro sobre Dificuldades de Aprendizagem e do Ensino, que aconteceu em São Paulo de 14 a 16 de fevereiro. Na segunda entrada, a pesquisadora abordou o tema Modalidades de Aprendizagem e as Ferramentas de Intervenção Psicopedagógica.

Confira também no site de NOVA ESCOLA:
-a visão da psicopedagoga sobre os distúrbios de aprendizagem
- a entrevista, em áudio,que Alicia Fernández concedeua nossa reportagem

O ponto central da explanação tocou nas feridas do ensino. Exemplos reais entraram em cena para reforçar o funcionamento dos modelos de aprendizagem classificados como destrutivos. O primeiro deles ocorre quando o professor esconde o conhecimento do aluno, excluindo-o do processo de aprendizagem por meio do segredo e da ausência de espaço para a reflexão. Se o perguntar é sepultado, não há pensar, disparou Alicia.

Semelhante devastação é provocada pelo ensinante que ao invés de compartilhar prefere exibir os conteúdos, como num show de vaidade. Em troca, recebe a inibição do aluno, o que compromete sua capacidade de assimilação.

Há ainda aquele considerado pela estudiosa como um dos mecanismos mais terríveis: o ato de desmentir, que em Psicopedagogia significa mostrar e negar que o que o aluno vê é o que realmente vê.

Como contraponto a tantos deslizes, a psicopedagoga esboçou o modelo ideal. De acordo com ela, a situação mais eficaz e positiva produzida em sala de aula nasce a partir da flexibilidade dos papéis, ou seja, quando aprendentes e ensinantes se revezam nessas posições.

Abaixo a rigidez - A escola pode e deve estimular a potência criativa do brincar e do aprender existente tanto nas crianças e como nos professores, defendeu Alicia, que não acredita em receitas. Sobretudo, quando destinadas a resolver questões de natureza humana. Mas, antes de encerrar a palestra, deixou algumas pistas de como transformar a sala de aula em um reduto repleto de satisfação.
Fazer uso do humor, explorar as perguntas feitas pelos alunos e não se intimidar diante da suposta urgência em dar respostas certas. Segundo a psicopedagoga, tais ingredientes têm o poder de afrouxar a rigidez dos modelos de aprendizado que ainda persiste em muitas escolas.

Inquieta, a palestrante não se contentou em indicar o caminho das pedras e incitou a platéia a ir mais adiante. Construam novas perguntas a partir das perguntas de seus alunos. O desafio fora lançado, junto com um aviso de suma importância: Para tanto, é preciso conectar-se com a própria autoria.

 
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