EDUCAÇÃO PARA O MUNDO
Brasileiros buscam fluência em idiomas e ensino globalizado nas escolas internacionais
Veja Salvador – Edição Especial, quinta-feira, 18 de setembro de 2008.
Criadas para atender filhos de estrangeiros e funcionários de multinacionais de passagem pelo país, as escolas internacionais ou bilíngües conquistam cada vez mais espaço entre os alunos brasileiros. A procura tem como principais motivos o aprendizado de idiomas, o conhecimento de outras culturas e a habilitação dos jovens para completar seus estudos no exterior. Em Salvador há apenas uma escola bilíngüe que abrange do ensino fundamental ao médio, a Pan Americana, situada em Patamares.
Fundada em 1960 por um grupo de pais, tem atualmente 397 alunos, 80% brasileiros. Os 20% restantes são de dezenove nacionalidades. O calendário é igual ao americano, ou seja, o ano letivo começa em agosto. Os estudantes são alfabetizados simultaneamente em inglês e português – o espanhol é opcional. Ao completarem o ensino médio, recebem certificados que os tornam aptos a cursar universidades no Brasil e também nos Estados Unidos. Candidatos brasileiros são aceitos até a 3ª série do ensino fundamental. Os que não têm conhecimentos suficientes de inglês cursam o English as a Second Language (ESL), paralelo às aulas, para que tenham um aprendizado rápido da língua.
Com exceção de história, geografia e português, todas as disciplinas são ministradas em inglês. As turmas são pequenas, com quinze alunos em média. Dessa forma, contam com acompanhamento personalizado do professor. As aulas começam às 7h45 e terminam às 15 horas. Os alunos da educação infantil podem optar por atividades extracurriculares, como natação ou capoeira. Já os alunos do ensino fundamental dispõem de aulas de basquete, vôlei, capoeira, natação, caratê, guitarra, bateria e piano. "O estudante tem contato com a diversidade cultural, habilita-se a trabalhar em grupo e a tomar resoluções conjuntas, a gerenciar seu desenvolvimento, a ser independente e eficiente, a ter noções de comunidade, além de aprender até três idiomas", destaca Maria Elena Kravchychyn, coordenadora do Programa Brasileiro.
Esse tratamento vip, porém, tem um custo elevado se comparado às mensalidades das escolas convencionais. Para ingressar na Pan Americana, é preciso pagar um fundo de reserva de 2.000 dólares. As mensalidades vão de 949 a 1.411 reais.
A coordenadora Maria Helena conta que muitos dos ex-alunos ocupam hoje posições privilegiadas no mercado internacional. "Há um ex-aluno que trabalha no Vale do Silício, outro que é empregado de um grande escritório de advocacia na Alemanha e alguns que seguiram a carreira diplomática."
Apesar dos inúmeros benefícios, a pedagoga Clara Coelho diz que os pais devem pensar bem antes de matricular seus filhos em uma escola bilíngüe, caso tenham a pretensão de que eles dêem continuidade aos estudos no Brasil. "Nessas escolas, os alunos fazem uso do inglês na leitura, na escrita e na fala", observa. "Correm por isso o risco de perder o domínio total do português." Outro aspecto complexo, segundo a pedagoga, é o fato de alguns pais colocarem os filhos em uma escola bilíngüe apenas por status. "Muitas vezes, a criança acaba convivendo com um mundo que não condiz com sua realidade", explica Clara. Os especialistas afirmam ainda que alunos de escolas bilíngües podem enfrentar dificuldades no vestibular, já que o currículo de colégios dessa natureza é diferente.
Ex-aluna da Pan Americana, Larissa Andrade, 18 anos, tinha receio do vestibular. "Achava que não iria passar", conta. Segunda colocada nas provas de duas universidades baianas nos cursos de relações internacionais e comércio exterior, Larissa viu que o temor era infundado. "O colégio nos dá a oportunidade de conviver com pessoas de outras culturas", lembra. "Ganhamos conhecimentos gerais e uma visão mais ampla do mundo."
Uma proposta com características de educação bilíngüe mais recente é a Escola de Educação Internacional da Bahia. Fundada em 1997 pelo psicólogo e doutor em neurociências Paulo Périssé, é destinada somente a brasileiros de 2 a 10 anos e segue o calendário nacional. As disciplinas são ministradas em português, por professores brasileiros. Ao todo, a escola possui 250 alunos em turmas que vão da educação infantil à 4ª série do ensino fundamental. Cada sala abriga no máximo 25 alunos. Embora não sejam alfabetizadas na língua inglesa, as crianças aprendem a se comunicar nesse idioma por meio de estímulos diários. Participam de jogos, assistem a vídeos. "O inglês aqui entra como o diferencial", diz a diretora Cristina Santana. "Os alunos aprendem a apreciar a cultura dos outros sem desvalorizar a própria", complementa Paulo Périssé.
A mensalidade custa 377 reais e a taxa de material escolar varia de 180 a 250 reais. Os alunos que optam por fazer as atividades esportivas oferecidas pela escola (natação, capoeira e futebol) pagam à parte 50 reais para cada modalidade. Há a opção de período integral. Nesse caso, os estudantes almoçam na escola e ficam até as 17h50. Têm acompanhamento pedagógico, atividades esportivas e aulas de espanhol.
Fonte: http://veja.abril.com.br/especiais/educacao_salvador/p_052.html