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SISTEMA DE ENSINO NA NOVELA DAS OITO

RENATA CAFARDO

Blog Renata Cafardo – A boa (e a má) educação, terça-feira, 09 de dezembro de 2008.

Um novo tipo de propaganda apareceu nas últimas semanas na novela das oito. Agora, além de refrigerantes, loja de roupas e cosméticos, vende-se sistema de ensino na TV. Para quem não sabe: sistema de ensino é o nome pelo qual ficaram conhecidos programas de empresas como COC, Positivo ou os mais antigos Objetivo e Anglo. Eles oferecem pacotes completos que incluem apostilas organizadas aula a aula, para professores e alunos, além de formação desses profissionais. Há poucos anos, somente escolas particulares contratavam esse tipo de serviço quando acreditavam que suas propostas pedagógicas próprias não estavam funcionando bem. Recentemente, prefeituras começaram a comprar os pacotes também para suas escolas municipais.
Um estudo divulgado neste mês pela Fundação Lemann mostra que 187 municípios de São Paulo e 439 mil alunos estudam em escolas organizadas por sistemas de ensino. A empresa que tem o maior número de contratos no Estado é o COC, que surgiu como um cursinho pré-vestibular em Ribeirão Preto nos anos 60. Seu sistema chama-se Name e está em escolas de mais de 80 cidades paulistas. O segundo mais atuante é o sistema Positivo, também nascido de um cursinho, mas em Curitiba na década de 70.
É justamente o Positivo que pode ser visto agora na novela das oito. Em "A Favorita" o prefeito da cidade fictícia de Triunfo apresentou o sistema à comunidade, com detalhes em um telão e falou demoradamente da "eficiência do material didático". Numa outra cena, uma mãe da cidade disse ao filho que seu desempenho na escola havia melhorado depois da chegada do sistema Positivo.
Há, de fato, alguns indícios de bom desempenho das escolas que implantaram sistemas de ensino. Atualmente, das dez cidades de São Paulo com o melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), sete usam materiais apostilados. O Ideb é o indicador oficial mais importante da educação brasileira e leva em conta rendimento dos alunos em exames nacionais, taxa de repetência e evasão escolar.
Mesmo assim, a opção - e sua consequente propaganda no horário nobre - não deixam de ser polêmicas. Alguns educadores sustentam que as apostilas padronizam a educação, tiram a autonomia e a criatividade do professor. Outros, que defendem o sistema, dizem que é uma maneira de direcionar o trabalho do docente, na maioria das vezes mal formado e sem orientação sobre o que fazer em sala de aula.
A melhor definição que já ouvi sobre o assunto foi da secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda. "O professor inseguro precisa de receitas. É como cozinhar. Quando a pessoa é iniciante, não larga a receita. Depois, vai ganhando autonomia, sabedoria e nem olha mais a receita."

Fonte: http://blog.estadao.com.br/blog/renata/?m=200812   


                                                                                                         

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