QUE MUDANÇAS SÃO ESSAS?
O Ensino Médio é colocado em xeque, novamente, com as mudanças propostas para os vestibulares. Essa etapa da educação formal já é objeto de questionamento há anos, no entanto, sua função na estrutura educacional permanece dúbia. Isso porque, muitas vezes o Ensino Médio serve apenas como um estágio preparatório para o vestibular, ou, conforme alguns críticos expõem, um dique de contenção para grande parte dos menos favorecidos sócio-economicamente.
Com base nessa dificuldade de acesso à Universidade, o Poder Público resolveu promover mudanças em seu processo de seleção e, para isso, ampliou a importância do ENEM, transformando-o no “novo vestibular”. É bem certo que essa transição ainda não será completa, mas cabe ser analisada à luz da intenção de abrir a Universidade para a população advinda da Escola Pública.
Mas se o Ensino Médio está em fase de adaptação para atender às novas necessidades de mercado, a repercussão dessas mudanças se dá em todas as etapas do processo educacional. E, no bojo dessas transformações, o professor tende a ser o foco dos questionamentos.
No intuito de sanar algumas dessas dúvidas, a entrevistada dessa edição é a Profa. Dra. Bernardete Gatti, uma referência na área da Pesquisa Educacional. A partir de discussões acerca dos currículos, da formação de professores, do distanciamento das Universidades da realidade da escola, dentre outras, a Profa. Bernardete propõe uma maior reflexão.
Dessa forma, se a função da escola tem de ser redefinida a partir de todo um processo de reestruturação, o Prof. Dr. Celso Uemori nos leva a essa reflexão em seu artigo “Comenius, Rousseau e Durkhein: as funções da escola na sociedade moderna”. Por sua vez, o Prof. José Lenivaldo da Costa expõe uma particularidade do ensino de Geografia em seu artigo “Ensino de Geografia: Desafios e Desventuras”.
Ainda, reiterando a preocupação exposta pela Profa. Dra. Bernardete Gatti com a avaliação, as Professoras Anelyse Lima, Cláudia Magalhães e Kátia Cunha nos trazem o artigo “Avaliação: Instrumento Diversificado”. Completando essa seção, mais dois artigos propõem discussões sobre aspectos extremante importantes e vinculados à Educação, quais sejam, a Educação Sexual na escola, no artigo dos Professores Marcio Santos e Keli Vido, “Bases Políticas da Educação Sexual” e o estudo acerca das instituições penais, proposto pela Profa. Ms. Carla Storino, em seu artigo “O que se aprende dentro de um Instituto Penal para Menores?”.
Na seção Resenha, o livro de Maria de Lourdes Deiró, “As Belas Mentiras”, é analisado pela Profa. Ms. Joana Di Santo. Um estudo emblemático devido à metodologia emprega e a perspectiva de que “voltando-se para o interior da escola, buscaria compreender os mecanismos específicos através dos quais o aparelho escolar cumpre determinadas funções gerais”.
A partir de todo esse conteúdo, é possível afirmar que o debate e embate acerca de posturas mais eficientes que deveriam ser empregadas no processo de construção do conhecimento não cessa. A cada nova propositura de mudança nas políticas públicas, mais questionamentos são feitos. Dessa maneira, a Educação se mantém viva e continua sendo, segundo Freire, o caminho para a libertação do povo.
Renatho Costa
Editor-Chefe